O Planejamento Estratégico como diferencial competitivo das organizações de sucesso - Prof. Sérgio Lopes

Prof. Sérgio Lopes (*)

 

Sabemos que administração é a arte de se obter resultados através das pessoas, e que o sucesso de qualquer processo de administração se revela na própria capacidade da Organização em reunir, coordenar e aplicar com eficiência e eficácia as cinco variáveis da Administração, a saber: pessoas, estrutura, tarefas, tecnologia e ambiente, de modo sinérgico voltado para uma só direção.

Sob este enfoque, o exercício desta capacidade utiliza os princípios básicos de Administração Neoclássica, propostos, há décadas passadas, por Peter Drucker e que permanecem válidos e atuais, que são o Planejamento, a Organização, a Direção e o Controle para conduzir a Organização em busca de sua plena realização.

Neste documento trataremos do primeiro princípio que é o Planejamento, mais especificamente do Planejamento Estratégico, por meio do qual preparamos a Organização e traçamos a rota a ser seguida para um futuro desejado, levando em conta a frase de Peter Drucker, considerado um dos mais influentes autores do campo da Administração, que é 

“A idéia de que planejar significa adivinhar o futuro é simplesmente absurda. Tudo o que se pode ter é preparo para enfrentar o que vier”.

Neste artigo vamos tratar do Planejamento Estratégico mostrando como esta ferramenta de gestão é importante para as Organizações e como a sua prática pode proporcionar ganhos e vantagens significativas para todas aquelas que o adotam rotineiramente.

De modo geral, podemos conceituar o Planejamento Estratégico como sendo um processo pelo qual a Organização se defronta com o ambiente em que atua, elabora diagnóstico, define estratégias e objetivos, visando atingir uma situação desejada num tempo futuro.

Caracteriza-se por ser um processo permanente e contínuo voltado para o futuro, visa a racionalidade da tomada de decisão, auxilia na escolha das melhores alternativas naquele momento, sendo por fim, sistêmico, interativo, cíclico e um instrumento que promove mudanças dentro da Organização.

Sua adoção como instrumento de gestão facilita e promove a busca pela Competitividade, que pode ser conceituada como sendo a

“Capacidade que uma organização desenvolve em algumas atividades específicas que lhe dá vantagens competitivas em seu ramo de negócios, em relação aos demais competidores”.

Numa extensão deste conceito, encontramos a posição dos professores e consultores americanos G. Hamel e C. K. Prahalad, externada no livro “Competindo pelo Futuro”, quanto a competências essenciais, que, segundo os autores, vem a ser

“Um conjunto de habilidades e tecnologias que permite a uma empresa oferecer um determinado benefício aos clientes” que se torna competência essencial quando é percebida pelo cliente, promove a diferenciação da empresa entre seus concorrentes e pode ser ampliada para novos produtos e serviços desenvolvidos e oferecidos pela empresa ao mercado.

Sob este contexto conceitual, o Planejamento Estratégico de qualquer Organização deve ter como propósito, mediante o estudo do cenário atual e de suas perspectivas, baseando-se em premissas conhecidas, definir a Visão, Missão e Valores da Organização, seus objetivos e metas estratégicas e propor os caminhos (estratégias) a serem seguidas para o seu atingimento, no período projetado.

O Planejamento Estratégico, então, é uma ferramenta de gestão que deve ser empregada por toda e qualquer Organização que deseja crescer, expandir suas atividades, ampliar seus mercados, atingir novos patamares de negócios e rentabilidade, enfim, prosperar de maneira sustentada e organizada.

Podemos afirmar que a prática do Planejamento Estratégico levará você, empresário, a mudar a forma de olhar para a sua empresa, passando a vê-la projetada num tempo futuro e como uma forma de atingir seus objetivos e metas, dando maior significado e amplitude às suas atividades presentes e propiciando o exercício exploratório de novas oportunidades de negócios adjacentes que complementam o negócio principal, sem descaracterizá-lo, ao contrário, agregando valor ao cliente e a sua própria organização.

Sob esta ótica, entendemos que o planejamento estratégico deve ser adotado como parte de um processo de evolução do próprio empresário, que começa a se preocupar com os seus custos operacionais, com a qualificação de seu pessoal, com o uso adequado da tecnologia e com seu reposicionamento no mercado em função da concorrência e do aumento das exigências dos seus clientes.

E por que as Organizações devem adotar o Planejamento Estratégico como ferramenta de gestão?

A resposta é muito simples, porque o novo ambiente de negócios assim o exige; pois, o Planejamento Estratégico é a único instrumento de gestão empresarial que pode lhe auxiliar a diagnosticar, analisar e compreender as forças que atuam no mercado e dentro de sua empresa e que podem influencia-la e impacta-la tanto de forma positiva como negativa.

É apenas exercitando o Planejamento Estratégico em toda sua plenitude e nuances que você poderá detectar os pontos fortes e fracos de sua empresa e as ameaças e oportunidades existentes no ambiente externo que poderão ser tratadas como ameaças ou oportunidades.

Esta identificação de pontos fortes e fracos e de ameaças e oportunidades que também é conhecida por análise SWOT, é apenas uma parte do Planejamento Estratégico, é tão somente a etapa de diagnóstico a partir da qual serão desencadeadas as demais etapas do processo.

Agora, gostaria de convida-lo a olhar “fora da caixa”, colocar a cabeça para fora da janela e observar o ambiente de negócios no qual o seu negócio está inserido. Observe algumas características típicas do ambiente de negócios e responda: Como este ambiente está impactando em sua empresa, nos seus processos, nas suas entregas e, principalmente, nas relações com seus clientes?

Para colaborar com sua observação e reflexão, ofereço-lhe algumas características do que eu denomino de novo ambiente de negócios. São elas:

  • Amplamente globalizado,
  • Extremamente competitivo,
  • Exigindo alto grau de relacionamento interpessoal e de comprometimento das pessoas para com a empresa em que trabalham,
  • Altamente tecnológico e interativo (já estamos na Era da Indústria 4.0)
  • Democraticamente aberto à diversidade étnica, política, social e cultural,
  • Exigindo tomadas de decisão cada vez mais ágeis e o exercício contínuo da visão sistêmica e integradora de todos os colaboradores, principalmente, daqueles que ocupam e exercem cargos de liderança.

Para terminar esta pequena lista de características do novo ambiente de negócios, vale mencionar a crescente tendência das Organizações de praticarem princípios e critérios de uma remuneração variável que contempla o esforço coletivo em funções de metas alcançadas e, muitas vezes, superadas, graças aos desafios a que se propuseram.

Caso você, meu (minha) caro (a) amigo (a) empresário, esteja pensando em se iniciar neste “admirável mundo novo” recomendo que inicie o processo com algumas reflexões, como por exemplo:

  • Como o novo ambiente de negócios está afetando minha Organização hoje e poderá afetar muito mais?
  • Como eu deverei me preparar para aproveitar as oportunidades e me proteger contra as ameaças existentes no ambiente externo?
  • Como eu deverei me relacionar com meus clientes para manter acesa a luz de sua preferência e de fidelidade à minha Organização?
  • Quais ações que eu deverei executar para manter o quadro de pessoal motivado e dedicado à minha Organização?
  • Como eu deverei organizar e conduzir meu negócio para que ele se mantenha (ou venha a se tornar) competitivo dentro deste mercado altamente disputado?
  • Que estratégias deverei implantar em minha Organização para atrair, conquistar e reter clientes para que minha equação básica de “lucro = receita - despesas” se mantenha em patamares atraentes que justifiquem a própria continuidade da Organização?

Uma boa maneira de criar um clima favorável ao Planejamento Estratégico em sua Organização é abrir as portas para a participação de todos os colaboradores na busca de respostas para estas e outras questões que você mesmo poderá elaborar.

Organize e promova as sessões de debates, ouça e registre as muitas sugestões que serão dadas, incentive seus colaboradores a darem suas ideias. Talvez, você vai se surpreender ao perceber quanto criativos e inovadores eles são.

Não se esqueça: Uma Organização que trabalha sob a égide do Planejamento Estratégico sabe que caminho deve seguir. Para uma Organização que não se planeja, qualquer caminho serve e que poderá leva-la a lugar nenhum. (adaptação livre do diálogo de Alice com o Gato de Cheshire, uma passagem do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol).

 

(*) Mestre e bacharel em Administração, Docente em cursos de MBA/PG, Consultor em Gestão, Qualidade e RH, pesquisador, articulista e instrutor de cursos de educação corporativa da JGA Treinamentos.

 

Se você está pensando em elaborar o Planejamento Estratégico para sua Organização, Consulte-nos.
E-mail: comunicacao@jga.com.br

Publicado em 24/04/2020